Calculadora de Juros Compostos: Quanto Rende Realmente o Seu Dinheiro

Juros compostos são os juros que rendem juros: o dinheiro que ganha num ano passa a fazer parte do capital e volta a render no ano seguinte. É por isso que 1.000 € com entregas de 100 € por mês a 3% ao ano dão 15.358 € ao fim de dez anos — 2.358 € a mais do que os 13.000 € que efetivamente entregou. Use a calculadora para pôr os seus próprios números, incluindo o IRS de 28% que incide sobre os juros em Portugal.

Calculadora de juros compostos
Total investido—
Juros ganhos—
Valor final—
Capital investido   Juros acumulados
AnoInvestidoJuros no anoJuros acumuladosSaldo

A taxa introduzida é tratada como taxa anual nominal creditada mensalmente, e as entregas mensais entram no início de cada mês. A taxa liberatória de 28% aplica-se a residentes no continente; nos Açores é de 19,6%, e há casos sem retenção na fonte em Portugal (entidades não residentes), explicados mais abaixo. A opção acima desconta o imposto no fim de cada ano, o que é uma aproximação — a retenção real acontece no momento em que os juros são pagos, e o calendário varia com o produto. Esta ferramenta é informativa e não constitui aconselhamento financeiro, fiscal, recomendação de investimento ou oferta de qualquer produto. As taxas são exemplos, não previsões. O Sites Mais Úteis não é intermediário financeiro nem consultor para investimento e não vende nem intermedeia qualquer produto.

Como funcionam os juros compostos

Nos juros simples, os juros são sempre calculados sobre o valor inicial. Nos juros compostos, são calculados sobre o saldo — que inclui os juros já ganhos. A diferença é pequena no primeiro ano e enorme ao fim de vinte.

Um exemplo sem entregas mensais: 10.000 € a 4% durante 20 anos. Com juros simples, 400 € por ano, todos os anos: 18.000 € no fim. Com juros compostos, 22.226 €. São 4.226 € de diferença, e a única coisa que mudou foi não ter levantado os juros.

A fórmula

Para um capital parado, sem entregas:

VF = C × (1 + t/n)n×a

  • VF — valor final
  • C — capital inicial
  • t — taxa anual (em decimal: 3% = 0,03)
  • n — número de vezes por ano que os juros são creditados
  • a — número de anos

Com entregas mensais a fórmula fica bastante mais longa, porque cada entrega rende durante um período diferente. É exatamente isso que a calculadora acima faz, mês a mês.

O que pesa mais: a taxa, o prazo ou a entrega mensal?

Esta é a pergunta útil. Partindo sempre da mesma base — 1.000 € iniciais, 100 € por mês, 3% ao ano, 10 anos — eis o que acontece quando se duplica cada variável, uma de cada vez:

CenárioInvestidoJurosValor final
Base13.000 €2.358 €15.358 €
Taxa a dobrar (6%)13.000 €5.289 €18.289 €
Entrega a dobrar (200 €/mês)25.000 €4.368 €29.368 €
Prazo a dobrar (20 anos)25.000 €9.733 €34.733 €

Valores brutos, antes de IRS. Com a taxa de 28% descontada — como a calculadora faz por omissão — os quatro cenários dão 14.653 €, 16.600 €, 28.064 € e 31.608 €.

Duplicar a entrega mensal e duplicar o prazo custam exatamente o mesmo — 25.000 € entregues nos dois casos. Mas o prazo devolve 9.733 € de juros contra 4.368 €, mais do dobro. O tempo é a variável que não se compra depois.

Porque é que começar cedo muda tudo

Três pessoas poupam 100 € por mês a 5% ao ano até aos 65. A única diferença é a idade a que começaram:

Começa aosAnos a pouparEntregouJurosTem aos 65
25 anos4048.000 €105.238 €153.238 €
35 anos3036.000 €47.573 €83.573 €
45 anos2024.000 €17.275 €41.275 €

Valores brutos, antes de IRS. Descontando a taxa de 28% sobre os juros de cada ano, os três cenários passam para cerca de 107.977 €, 65.118 € e 35.268 €.

Quem começou aos 25 entregou 12.000 € a mais do que quem começou aos 35 — e acabou com 69.665 € a mais. A diferença não veio do esforço, veio dos dez anos extra a compor.

A regra do 72

Para saber de cabeça quantos anos o dinheiro demora a duplicar, divida 72 pela taxa. A 3% dá 24 anos; o cálculo exato dá 23,1. A 6% dá 12 anos; o exato dá 11,6. É uma aproximação e chega perfeitamente para uma conta rápida:

Taxa anualRegra do 72Cálculo exato
2%36 anos34,7 anos
3%24 anos23,1 anos
4%18 anos17,4 anos
5%14 anos13,9 anos
6%12 anos11,6 anos

O IRS leva 28% dos juros

Os juros contam como rendimentos de capitais (categoria E) e, para residentes no continente, a taxa liberatória de IRS é de 28%. Nas Regiões Autónomas é mais baixa — nos Açores, 19,6%. Há ainda casos com taxas diferentes, nomeadamente rendimentos pagos por entidades domiciliadas em regimes fiscais claramente mais favoráveis.

Quem retém o imposto depende de quem paga os juros, e é a parte que mais gente desconhece. Se a entidade pagadora é residente em Portugal, é ela que retém e o que chega já vem líquido. Se for uma entidade não residente — um banco ou uma corretora estrangeira — não há retenção na fonte em Portugal: o rendimento tem de ser declarado por si, no anexo J da declaração de IRS. Existe a opção pelo englobamento, com uma condição que convém saber: quem opta fica obrigado a englobar a totalidade dos rendimentos da mesma categoria, não apenas os de uma aplicação. Se compensa depende do escalão e do conjunto dos seus rendimentos.

O efeito no longo prazo não é pequeno. Nos mesmos 1.000 € com 100 € por mês a 3% durante 20 anos: 34.733 € brutos contra 31.608 € líquidos à taxa de 28%. São 3.125 € de diferença — mais do que os 28% diretos sobre os juros, porque o imposto retido em cada ano reduz a base sobre a qual os juros seguintes são calculados.

A calculadora acima tem os 28% ligados por omissão, por ser o caso da maioria dos leitores. Se reside numa Região Autónoma ou tem aplicações numa entidade estrangeira, escolha «Não descontar» e faça a conta do imposto à parte.

Esta secção descreve as regras gerais em vigor em setembro de 2026 e não substitui aconselhamento fiscal. A sua situação pode ser diferente — nomeadamente se residir nas Regiões Autónomas, se tiver aplicações em entidades não residentes ou se optar pelo englobamento. As taxas podem mudar com o Orçamento do Estado: confirme no Código do IRS ou com um contabilista certificado.

Perguntas frequentes

O que são juros compostos?

São os juros calculados sobre o saldo acumulado, e não apenas sobre o capital inicial. Os juros ganhos passam a fazer parte do capital e voltam a render no período seguinte. É o contrário dos juros simples, em que os juros são sempre calculados sobre o valor de partida e não se acumulam.

Como se calculam os juros compostos?

Para um capital parado, a fórmula é VF = C × (1 + t/n) elevado a (n × a), em que C é o capital inicial, t a taxa anual em decimal, n o número de vezes por ano que os juros são creditados e a o número de anos. Com entregas mensais o cálculo tem de ser feito período a período, porque cada entrega rende durante um tempo diferente — é isso que a calculadora desta página faz.

Qual é a regra do 72?

É um atalho para saber em quantos anos o dinheiro duplica: divide-se 72 pela taxa anual. A 3% ao ano dá 24 anos, e o cálculo exato dá 23,1. A 6% dá 12 anos, contra 11,6 no cálculo exato. A aproximação é boa para taxas entre 2% e 10%.

Os juros pagam impostos em Portugal?

Sim. Os juros de depósitos a prazo, certificados de aforro, certificados do tesouro e obrigações são rendimentos de capitais, tributados à taxa liberatória de 28% para residentes no continente e de 19,6% nos Açores. Se quem paga os juros é residente em Portugal, retém o imposto na fonte; se for uma entidade não residente, não há retenção e o rendimento tem de ser declarado no anexo J. Existe opção pelo englobamento, mas quem opta fica obrigado a englobar todos os rendimentos da mesma categoria. Regras em vigor em setembro de 2026; não substitui aconselhamento fiscal.

Quanto rendem 10.000 euros em 10 anos?

Depende inteiramente da taxa. Com 10.000 € parados e juros creditados mensalmente: a 2% ao ano ficam 12.212 €; a 3%, 13.494 €; a 4%, 14.908 €. Descontando o IRS de 28% sobre os juros, os mesmos cenários dão 11.552 €, 12.419 € e 13.353 €.

O que pesa mais, a taxa ou o prazo?

O prazo, quase sempre. Partindo de 1.000 € com 100 € por mês a 3% durante 10 anos, duplicar a entrega mensal e duplicar o prazo custam o mesmo — 25.000 € entregues nos dois casos. Mas duplicar o prazo rende 9.733 € de juros e duplicar a entrega rende 4.368 €. O tempo é a variável que não se recupera depois.

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Fontes e metodologia

Todos os valores desta página foram calculados com o mesmo motor da calculadora e conferidos contra a fórmula fechada dos juros compostos. A taxa é tratada como taxa anual nominal creditada mensalmente, com as entregas a entrar no início de cada mês. A taxa liberatória de 28% sobre juros de capitais consta do Código do IRS; para comparar produtos e comissões, o Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal é a fonte oficial.

Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro, recomendação de investimento ou oferta de qualquer produto. As taxas usadas são exemplos, não previsões: rendibilidades passadas não garantem rendibilidades futuras e alguns produtos têm risco de perda de capital. O Sites Mais Úteis não é intermediário financeiro nem consultor para investimento.